Homem é queimado vivo no México após boatos de ser sequestrador de crianças

Daniel Picazo estava passeando na praça quando foi abordado por cerca de 200 pessoas enfurecidas, que começaram o linchamento.

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Um homem foi espancado e queimado vivo no México. Daniel Picazo, ex-assessor do governo mexicano, foi vítima de boatos que foram divulgados no Whatsapp informando que ele estaria sequestrando crianças. Mesmo com os esforços da polícia e dos bombeiros, o homem foi impedido de ser salvo por cerca de 200 pessoas envolvidas no linchamento.

O caso aconteceu na última sexta-feira (10), na comunidade de Papatlazolco, que fica no estado de Huachinango, a 180 quilômetros da Cidade do México. Picazo estava passeando na praça quando foi abordado com a população enfurecida, que começou o linchamento. Depois de ser agredido fisicamente, o homem foi queimado ainda vivo. Policiais e paramédicos não conseguiram chegar ao homem a tempo, devido a multidão que impedia a passagem. A pessoas só dispersaram depois que Daniel já estava sem vida.

A irmã de Daniel Picazo falou sobre o acontecido em uma publicação no Facebook.”Descobrir como tiraram sua vida me causa a maior repulsa pelas pessoas que injustamente fizeram isso sem saber que você era um profissional, um amante das viagens e da vida, com um futuro brilhante. Voe alto meu Dany, confio que Deus fará justiça a todas aquelas pessoas que cortaram suas asas”, desabafou.

O governo do município de Huachinango também se pronunciou sobe o fato. “A justiça com as próprias mãos não é justiça, e sim barbárie. As autoridades competentes já estão investigando o ocorrido para determinar responsabilidades”, afirmou.

A população se mobilizou através de grupos do Whatsapp. Boatos espalhadas no aplicativo de mensagem alertavam sobre a presença de um suposto criminoso na cidade para sequestrar menores de idade, segundo informou o comunicado do governo local.

Picazo trabalhou até março de 2022 como assessor na Câmara dos Deputados, informou a instituição em um obituário publicado nas redes sociais para lamentar o assassinato.

Ele trabalhou principalmente com parlamentares do Partido da Ação Nacional (PAN, conservador), grupo político que também expressou condolências à família de Daniel Picazo nas redes sociais e exigiu justiça.