Obama comenta que “Brasil ainda tem problemas com a corrupção sistêmica”

Ex-presidente dos EUA falou também sobre sua relação com os ex-presidentes Lula e Dilma

Em 2009, no auge de sua popularidade, Lula foi considerado "o cara" (the man) pelo presidente dos EUA, Barack Obama - Reprodução/ISTOÉ

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama afirmou que o Brasil “ainda tem problemas profundos com a corrupção sistêmica”. Segundo o democrata, ele ainda “tem esperança de que o trauma político possa levar o Brasil a um tipo diferente de política”, lembrando do impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff e da divisão existente hoje no país.

Obama falou também sobre sua relação com os ex-presidentes Lula e Dilma, em entrevista à Folha de S. Paulo. O norte-americano afirmou que admirava o petista antes de suas condenações.

“Minhas interações com Lula aconteceram, na maioria, anos antes de seus problemas com a Justiça, de modo que minhas recordações dele são moldadas pelo tempo em que ele era uma presença dominante na política brasileira e uma figura influente no palco mundial”, apontou.

Lula foi denunciado na Operação Lava Jato, em 2016, e condenado a 17 anos de prisão no caso Triplex de Guarujá. O mandato de Obama durou até janeiro de 2017, mas o ex-presidente estadunidense afirmou, em entrevista ao Conversa com Bial, desconhecer os casos, naquela época.

No livro “Uma Terra Prometida” , que fala sobre seu mandato de oito anos, Obama faz menção a Lula, citando tanto os pontos positivos, quanto negativos. À Folha, ele afirmou ter ficado claro o petista e Dilma simbolizavam algo importante para muitos brasileiros: a ideia de que eles estavam representados nos mais altos níveis do governo e que o governo seguia políticas que beneficiavam as massas maiores de pessoas.

“Não há como negar o dom que Lula possuía de se conectar com as pessoas e o progresso que foi feito nesse período para tirar pessoas da pobreza. Mas, como escrevi, sempre havia rumores girando em torno dele sobre clientelismo, e está claro que o Brasil ainda tem problemas profundos com a corrupção sistêmica”, finalizou Obama.

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Sobre a polarização política e o governo Trump, Obama disse estar otimista

“Tenho fé em que a visão generosa e acolhedora do nosso país sairá por cima. E conservei meu otimismo, mesmo ao longo dos últimos quatro anos. Porque, ao mesmo tempo em que vimos nossos piores impulsos revelados, também testemunhamos o que podemos ser quando mostramos nosso lado melhor, quando americanos saíram às ruas em número sem precedente para protestar contra a separação de famílias, a violência armada, a brutalidade policial e mais”.

Segundo o ex-presidente, ele tem muita esperança nas próximas gerações.

Obama destacou a importância do seu vice-presidente Joe Biden, agora eleito para chefe do Executivo norte-americano.

“Essa empatia, essa honradez, a crença de que todos têm valor —isso é quem Joe é. E foi por isso que durante oito anos eu quis que ele fosse o último na sala comigo sempre que eu precisava tomar uma decisão importante. Ele me fez um presidente melhor. E sei que ele nos tornará um país melhor”, concluiu.

Com informações do Metrópoles*